Como fazer e-mail marketing para loja de roupa que vende
E-mail ainda funciona pra loja de roupa? Mando e ninguém abre.
E-mail de loja de roupa vende quando vira fluxo automático, não disparo pra base inteira. Cinco ficam ligados: boas-vindas, pós-compra, reativação de quem sumiu, aniversário da compra e lista de espera de peça esgotada. Um disparo de CRM no meio do inverno rendeu R$15 mil.
Sexta à tarde, coleção nova no site. A dona pega a lista inteira, 8 mil e-mails, escreve “Chegou a nova coleção”, clica em enviar.
Duas vendas.
E aí vem a frase que eu ouço em quase toda call: e-mail não funciona mais.
Funciona. O que não funciona é o que ela fez. Aquilo não foi e-mail marketing, foi um bilhete solto mandado para 8 mil pessoas ao mesmo tempo, sem nenhum motivo para elas abrirem naquele momento. E-mail que vende é outra coisa: é fluxo.
Disparo e fluxo não são a mesma coisa
Disparo é a mensagem que tu escreve hoje e manda para todo mundo agora. Serve para o que tem data: lançamento, última chamada, aviso de encerramento de lote. Acontece uma vez e morre.
Fluxo é a mensagem que já está escrita e sai sozinha quando a cliente faz alguma coisa. Ela se cadastra, chega o e-mail. Ela recebe a peça, chega outro. Ela some por 90 dias, chega um terceiro. Tu escreve uma vez e aquilo trabalha todo dia, inclusive no domingo em que tu está embalando pedido.
A diferença no caixa é essa: disparo depende de tu ter tempo e ideia na sexta-feira. Fluxo não depende de ti.
E o fluxo é o pedaço mais barato do negócio, porque fala com quem já te conhece. Anúncio paga para achar gente nova. O fluxo só espreme mais essa laranja que tu já tem na mão. É por isso que, quando me perguntam se vale contratar CRM, eu respondo sempre a mesma coisa: contrata com certeza, porque é dinheiro grátis. É duas, três, quatro vendas que já se pagam.
Numa loja que a gente atende, um disparo bem feito no meio do inverno, mês que todo mundo dá por perdido, rendeu R$15 mil. Sem anúncio novo, sem cliente novo, na base que já estava ali.
Os 5 fluxos que ficam ligados
Antes da lista, uma regra: todo fluxo precisa de três coisas escritas antes de ser ligado. Gatilho (o que faz a mensagem sair), mensagem (o que ela diz) e regra de saída (quando a cliente para de receber). Fluxo sem regra de saída é o que manda “esqueceu algo no carrinho?” para quem já pagou.
| Fluxo | Gatilho | Regra de saída |
|---|---|---|
| Boas-vindas | Cadastro na lista | Comprou ou terminou a sequência |
| Pós-compra | Entrega confirmada | Fim da sequência ou chamado aberto no atendimento |
| Reativação | 90 dias sem comprar | Comprou, clicou ou pediu para sair |
| Aniversário da compra | 12 meses da primeira compra | Comprou ou passaram 7 dias |
| Lista de espera | Pediu aviso de uma peça esgotada | Peça voltou e ela comprou, ou pediu para sair |
Agora um por um.
1. Boas-vindas: três e-mails em cinco dias
Esse é o fluxo com a melhor taxa de abertura da loja inteira, porque a pessoa acabou de levantar a mão. E é o mais desperdiçado, porque quase todo mundo usa ele para dar cupom.
- E-mail 1, na hora: quem tu é e por que a marca existe. A tua cara, o teu nome, a história. Uma foto tua, não banner de agência.
- E-mail 2, dois dias depois: a dúvida que mais trava a compra de roupa online, que é tamanho. Tabela de medidas, como as peças vestem, o que fazer se errar.
- E-mail 3, cinco dias depois: as três peças mais vendidas, com cliente real usando.
Se ela comprar em qualquer ponto, sai da sequência na hora.
Cupom só entra no terceiro, se entrar. Dar desconto antes de a pessoa saber o que a tua marca faz é ensinar o preço antes do valor, e depois não tem volta.
2. Pós-compra: o fluxo que faz a segunda venda
A cliente pagou e sumiu do teu radar. Errado. Ela nunca vai estar tão animada com a tua marca quanto na semana em que abre a caixa.
- Quando a entrega for confirmada: como cuidar da peça, com o que combinar, em que ocasião usar. Mensagem útil, sem catálogo.
- Sete dias depois: pedido de avaliação com foto. Aqui é a matéria-prima da tua prova social, e ela vale mais que qualquer anúncio.
- Quinze dias depois: a peça que combina com o que ela levou. Quem comprou a calça recebe a blusa que fecha o look, não a mesma calça.
Duas coisas para não fazer: não manda “gostou?” enquanto o pacote ainda está a caminho, e não coloca desconto automático na segunda compra. Ela já ia voltar, tu só deu dinheiro. Esse fluxo é uma das formas mais baratas de subir o ticket médio da loja.
3. Reativação: quem comprou e sumiu
Puxa a lista de quem comprou uma vez e não voltou em 90 dias. Numa loja de moda feminina, essa lista costuma ser maior que a base ativa inteira.
Dois e-mails, com uma semana de intervalo. O primeiro não vende nada: pergunta se a peça serviu, se ficou boa, se ela quer contar o que achou. O segundo mostra o que mudou na loja desde que ela comprou, as modelagens novas, o que entrou.
Se ela não abrir nenhum dos dois, tira dessa lista e não insiste. Base menor que abre vale mais que base grande que ignora.
E não parte do princípio de que ela sumiu porque faltou promoção. Na maioria das vezes ela só não lembrou de ti.
4. Aniversário da compra: o lembrete que ninguém usa
Um ano depois da primeira compra, chega um e-mail lembrando o que ela levou e mostrando a versão desta temporada.
É óbvio e quase nenhuma loja liga. Funciona porque o motivo é real: faz um ano, a peça já rodou, a coleção mudou. É melhor gatilho que aniversário da pessoa, que enche a caixa dela de mensagem de banco e de farmácia.
Regra de saída: comprou ou passaram sete dias.
5. Lista de espera da peça esgotada
O tamanho M acabou. Em vez de a cliente fechar a aba e sumir, ela deixa o e-mail e é avisada quando voltar.
Isso faz três coisas ao mesmo tempo: transforma frustração em cadastro, te diz exatamente qual peça e qual tamanho repor, e monta uma fila de gente pronta para comprar antes de a mercadoria chegar. Na hora do lançamento, essa lista é a primeira a receber.
Só confere o estoque antes de disparar. Avisar que voltou e a cliente chegar no site e já estar esgotado de novo queima a confiança que tu levou meses para construir.
O e-mail que só vende promoção treina a base a esperar promoção
Aqui é onde a maioria estraga o CRM.
Se toda mensagem que sai da tua loja tem um cupom no assunto, a cliente aprende uma regra simples: não abre e-mail sem desconto. Aí, no dia do lançamento a preço cheio, ninguém abre, porque não tem o número vermelho no assunto.
É o mesmo mecanismo do cupom no Instagram, que eu detalhei em como parar de depender de desconto. O canal muda, o estrago é igual.
Proporção que funciona: a cada quatro mensagens, no máximo uma com oferta. As outras três entregam alguma coisa, história, bastidor, como usar, o que entrou.
Quando o WhatsApp faz mais sentido que o e-mail
Os dois canais não brigam, cada um resolve um tipo de mensagem.
- WhatsApp para o que tem hora: lançamento no ar, peça que voltou, última chamada, lote fechando hoje. É lido em minutos. É também o lugar do grupo VIP, que é a base mais quente que tu vai ter.
- E-mail para o que precisa de espaço: história da coleção, tabela de medidas, guia de como usar, sequência de boas-vindas, aniversário da compra. Ninguém lê um texto de dez linhas com três fotos no WhatsApp sem se irritar.
E coordena os dois. Se a cliente recebeu o aviso do lançamento no grupo VIP pela manhã, não manda o mesmo aviso por e-mail à tarde. Repetir a mesma oferta em canais diferentes não é presença, é insistência, e o custo disso é o descadastro.
O resumo
- Disparo é uma vez, para todo mundo. Fluxo é automático e sai por comportamento. Quem vende todo dia é o fluxo.
- Os cinco que ficam ligados: boas-vindas, pós-compra, reativação em 90 dias, aniversário da compra e lista de espera de peça esgotada.
- Todo fluxo precisa de gatilho, mensagem e regra de saída escritos antes de ser ligado.
- Carrinho abandonado entra antes de todos eles, e tem um caminho próprio em recuperar carrinho abandonado.
- No máximo uma mensagem com oferta a cada quatro. Base que só recebe cupom só compra com cupom.
- WhatsApp para o que tem hora marcada, e-mail para o que precisa de espaço. Nunca a mesma mensagem nos dois no mesmo dia.
Se a tua loja já fatura R$50 mil por mês e a tua base de clientes está parada sem nenhum fluxo ligado, aplica aqui. A gente olha o tamanho da tua lista e te diz quanto ela deveria estar faturando por mês.
Perguntas frequentes
- E-mail marketing ainda funciona para loja de roupa?
- Funciona, mas o que funciona é fluxo automático, não disparo para a base inteira. Fluxo é a mensagem que sai sozinha quando a cliente faz alguma coisa: se cadastra, recebe a peça, some por 90 dias. Um disparo de CRM no meio do inverno já rendeu R$15 mil em uma das lojas que a gente atende, e isso só acontece com base construída por fluxo.
- Quantos fluxos preciso ligar para começar?
- Dois resolvem a maior parte do dinheiro: carrinho abandonado e boas-vindas. Depois entram pós-compra, reativação, aniversário da compra e lista de espera de peça esgotada. Liga um por semana, na ordem, em vez de tentar montar os seis no mesmo fim de semana e não terminar nenhum.
- Preciso dar cupom no e-mail de boas-vindas?
- Não. Cupom na primeira mensagem ensina a cliente que existe desconto antes de ela saber o que a tua marca faz. Boas-vindas funciona melhor contando a história da marca, resolvendo a dúvida de tamanho e mostrando as peças mais vendidas. Guarda a condição comercial para o terceiro e-mail, se precisar dela.
- Quando o WhatsApp faz mais sentido que o e-mail?
- Quando a mensagem tem hora marcada: lançamento de coleção, peça que voltou ao estoque, última chamada de um lote. O WhatsApp é lido em minutos e o e-mail em horas ou dias. Já para a mensagem longa, com foto, tabela de medidas e história da peça, o e-mail é melhor e não incomoda ninguém.
Continue por aqui
- CRM e recompra
Grupo VIP no WhatsApp para loja de roupa: como montar
Como montar um grupo VIP de WhatsApp que realmente vende para sua loja de roupa: o que postar, com que frequência e por que a maioria dos grupos morre.
- CRM e recompra
Como recuperar carrinho abandonado em loja de roupa
Por que a cliente abandona o carrinho na sua loja de moda, em quanto tempo mandar a primeira mensagem e por que dar desconto na primeira é o pior erro.
- Negócio de moda
Como aumentar o ticket médio da loja de roupa feminina
Como fazer a cliente gastar mais por compra na sua loja de moda: kit, frete progressivo, upsell e o erro de subir preço achando que é ticket médio.
