Como vender moda praia no inverno sem dar desconto

Vítor ParragaFundador da Parraga Media e gestor de tráfego7 min de leitura

Como vender moda praia no inverno, quando ninguém está indo à praia?

Moda praia vende no inverno quando o anúncio muda o motivo da compra: em vez de falar com quem vai à praia hoje, fala com quem tem viagem marcada e com quem já planeja o próximo verão. Uma marca de biquíni faturou R$105.030 em julho de 2026 só com anúncio, a preço cheio, investindo R$10.588. Retorno de 9,9 vezes.

Julho. Frio. Ninguém compra biquíni.

É o que quase toda loja de moda praia acredita, e é o que faz quase toda loja de moda praia fazer a mesma coisa quando o inverno chega: corta a verba de anúncio, coloca a coleção em sale pra girar estoque, e senta pra esperar setembro.

Aí a loja passa quatro meses vivendo do que sobrou do verão. Se o verão foi bom, sobrevive. Se foi fraco, começa a pensar em fechar.

A Amalfi Swim & Resortwear fez o contrário em julho de 2026. Manteve o preço, subiu a verba e faturou R$105.030 só através dos anúncios, com R$10.588 investidos. Retorno de 9,9 vezes, no mês mais frio do ano.

Não teve mágica. Teve uma decisão que a maioria não toma: mudar o motivo da compra.

No inverno ninguém para de comprar biquíni. Muda o motivo

Essa é a frase que resolve o problema inteiro.

No verão, a cliente compra biquíni porque vai à praia no sábado. É compra de ocasião próxima, e o anúncio só precisa mostrar a peça bonita.

No inverno, esse motivo some. Mas outros dois continuam de pé, e são motivos que pagam preço cheio:

A que tem viagem marcada. Verão europeu, resort no Nordeste, cruzeiro. Mala em cima da cama, e a vontade de embarcar com peça nova. Ela não está esperando promoção. Ela está com pressa.

A que está em casa, no frio. Não viaja agora, mas já está planejando a próxima praia. Ela compra hoje o verão que quer viver. É compra de desejo, e desejo não olha calendário.

As duas existem em julho. As duas compram caro por um biquíni certo. Foi atrás dessas duas que a gente foi, com campanha, criativo e oferta próprios pra cada uma.

O que a gente fez, na prática

1. Dividiu a loja em dois públicos. Uma campanha pra quem está de férias com viagem marcada, outra pra quem viaja pra praia com frequência e já pensa na próxima. Cada uma com o criativo certo: “o biquíni que não pode faltar na tua mala” fala com a primeira, a cápsula nova fala com a segunda.

2. Colocou verba onde a cliente já estava. A Bruna, dona da Amalfi, tinha feito parcerias com micro-influenciadoras em julho. Meninas do meio dela, que usam e gostam da marca. Isso trouxe a audiência certa. O que garantiu que essa audiência não fosse embora sem comprar foi o remarketing por trás: anúncio pra quem viu, visitou o site e não fechou.

3. Concentrou a verba nos criativos que provaram. Dos anúncios rodando, três foram identificados como campeões e receberam a maior parte do orçamento. Esses três fizeram R$57.295, 68% de tudo que saiu no Meta. O resto foi cortado sem apego.

4. Não entrou em sale. Preço cheio o mês inteiro. Nenhuma peça da coleção nova com desconto.

Os números de julho

Investimento total R$10.588
Vendas por anúncio R$105.030
Pedidos 124
Ticket médio R$847
Retorno 9,9x

Separando por plataforma:

  • Meta (Instagram e Facebook): R$83.926 em vendas, retorno de 8,18x. É onde a loja constrói desejo e alcança quem ainda não conhece a marca.
  • Google: R$21.104 em vendas, retorno de 64,7x. É onde a loja pega quem já está procurando. Verba pequena, retorno enorme, porque a pessoa chega decidida.

Repara no ticket médio: R$847. Isso é o que acontece quando o anúncio fala com quem tem motivo real de compra. Cliente com viagem marcada leva o conjunto, a saída e a segunda opção. Cliente de promoção leva a peça mais barata.

Por que o sale de inverno é a pior escolha

Volta na lista do começo: cortar verba, queimar estoque, esperar setembro.

O problema não é só o dinheiro que deixa de entrar em julho. É o que o desconto ensina.

Cliente que comprou o biquíni de R$400 por R$200 em julho não paga R$400 em dezembro. Ela agora sabe quanto tu aceita receber, e vai esperar o próximo sale. Tu vendeu no inverno e matou o verão.

Já a Amalfi chega em dezembro com a base inteira acostumada a pagar preço cheio, com três criativos validados, e com quatro meses de dado sobre quem compra o quê. Um julho como esse é só a faísca do que dá pra fazer no verão.

O que tu pode fazer na tua loja de moda praia agora

  • Para de anunciar “praia” no inverno. Anuncia viagem, anuncia a próxima praia, anuncia a mala. O produto é o mesmo, o motivo é outro.
  • Separa os dois públicos em campanhas diferentes, com criativo próprio. Não mistura.
  • Se fez parceria com influenciadora, liga o remarketing atrás. Sem isso, a parceria é alcance que vai embora.
  • Testa vários criativos e concentra a verba nos que provam. Corta o resto no mesmo dia. Sem apego.
  • Não coloca a coleção boa em sale. Desconto de verdade só pro que precisa sair de verdade.
  • Mede o ticket médio. Se ele subir, tu está falando com a cliente certa.

O resumo

  • Moda praia vende no inverno. O que muda é o motivo da compra, não a demanda.
  • Dois públicos pagam preço cheio em julho: quem tem viagem marcada e quem já planeja a próxima praia.
  • Micro-influenciadora traz a audiência, remarketing fecha a venda.
  • Três criativos campeões fizeram 68% do resultado. Verba concentrada no que prova.
  • R$10.588 investidos, R$105.030 vendidos, ticket de R$847. Sem um real de desconto.

Se a tua loja de moda praia já fatura R$50 mil por mês e ainda entra em modo de espera todo inverno, aplica aqui. O trabalho que fez o julho da Amalfi começa a ser montado nos nossos clientes muito antes do frio chegar.

Perguntas frequentes

Vale a pena anunciar moda praia no inverno?
Vale, e costuma ser mais barato que no verão, porque a maioria das marcas corta a verba e o leilão fica vazio. O que muda é a mensagem do anúncio: no inverno ela fala com quem tem viagem marcada e com quem já está planejando a próxima praia, não com quem vai à praia no fim de semana. Com o público certo, julho rende mais que muita marca fatura em janeiro.
Devo colocar a coleção de verão em promoção no inverno?
Não, se a peça é boa. Sale de inverno gira estoque, mas queima margem e ensina a cliente a esperar promoção. A alternativa é anunciar a preço cheio pra quem tem motivo real de compra agora, e reservar desconto de verdade só pro que precisa sair: grade quebrada, coleção passada, cor que não vendeu.
Quem compra biquíni em julho?
Duas mulheres, principalmente. A que tem viagem marcada, com mala em cima da cama e vontade de peça nova antes de embarcar, muitas vezes pro verão europeu. E a que está em casa, no frio, mas já planeja a próxima praia e compra hoje o verão que quer viver. As duas pagam preço cheio por um biquíni certo.
Micro-influenciadora funciona pra moda praia?
Funciona como porta de entrada, não como máquina de venda sozinha. Menina do mesmo meio da cliente, que usa e gosta da marca de verdade, traz a audiência certa. Quem fecha a venda é o remarketing por trás: anúncio pra quem viu, visitou e não comprou. Sem essa segunda camada, a parceria vira alcance bonito e caixa vazio.
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